A Organização das Nações Unidas (ONU) abriu, nesta segunda-feira, na Suíça, o Diálogo Global sobre Inteligência Artificial (IA), iniciativa que reúne representantes de governos, empresas de tecnologia, universidades, sociedade civil e especialistas para discutir o futuro da governança da tecnologia. De acordo com notícia publicada no portal de notícias da ONU, o encontro busca construir regras internacionais que garantam uma Inteligência Artificial mais segura, ética, inclusiva e acessível para todos os países.
A iniciativa foi criada por determinação da Assembleia Geral da ONU e pretende ampliar a participação de todas as nações na definição das diretrizes globais para a IA, reduzindo a concentração das decisões nos países com maior desenvolvimento tecnológico.
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL EXIGE GOVERNANÇA GLOBAL, DIZ ONU

Remix a partir de foto de Irina Popa/ONU
Na abertura do encontro, o secretário-geral da ONU, António Guterres, destacou que a Inteligência Artificial evolui em ritmo acelerado e que o desafio mundial será definir como essa tecnologia será conduzida nos próximos anos.
Segundo ele, a questão central é saber se a humanidade será capaz de governar coletivamente a IA ou permitirá que ela influencie o rumo das sociedades sem mecanismos adequados de controle.
Guterres afirmou que o diálogo representa um marco por oferecer, pela primeira vez, igualdade de participação a todos os países nas discussões sobre governança da Inteligência Artificial. O objetivo é transformar essa representatividade em ações concretas capazes de tornar a tecnologia mais justa, segura, ética e acessível.
DEBATES BUSCAM REDUZIR DESIGUALDADES NO ACESSO À IA
Ao longo da programação, os participantes discutem oportunidades e desafios relacionados à Inteligência Artificial em diferentes áreas.
Entre os temas previstos estão formas de reduzir as desigualdades no acesso à tecnologia, fortalecer a cooperação internacional e criar mecanismos de supervisão humana para os sistemas de IA, sempre em conformidade com o direito internacional.
A proposta é construir uma governança que considere as prioridades de todos os países e distribua de forma mais equilibrada os benefícios proporcionados pelos avanços tecnológicos.
TECNOLOGIA PODE IMPULSIONAR O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
A presidente da Assembleia Geral da ONU, Annalena Baerbock, afirmou que o Diálogo Global vai além da criação de regras para uma nova tecnologia. Segundo ela, a iniciativa busca estabelecer uma visão compartilhada em que o progresso tecnológico caminhe ao lado da dignidade humana, da equidade e do desenvolvimento sustentável.
De acordo com Baerbock, uma Inteligência Artificial desenvolvida de forma responsável poderá acelerar avanços em áreas como saúde, educação, agricultura, pesquisa científica e prevenção de desastres, contribuindo diretamente para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.
A dirigente também destacou que a iniciativa demonstra a capacidade das Nações Unidas de responder aos desafios tecnológicos mais urgentes do cenário internacional.
DIÁLOGO PRETENDE TORNAR A GOVERNANÇA MAIS REPRESENTATIVA
Embora diversos países já possuam legislações e normas técnicas relacionadas à Inteligência Artificial, a regulamentação ainda ocorre de maneira desigual.
Grande parte das regras foi construída por nações com forte presença no setor tecnológico, enquanto muitos países com menor capacidade de desenvolvimento participaram pouco da elaboração desses modelos.
O Diálogo Global foi criado justamente para ampliar essa participação, permitindo que países em desenvolvimento e integrantes do Sul Global tenham voz ativa na construção das futuras diretrizes internacionais para a IA.
BRASIL PARTICIPA DAS DISCUSSÕES SOBRE INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
A programação conta com representantes brasileiros em diferentes painéis.
Nesta terça-feira, Carlos Manuel Baigorri, presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), participa de uma mesa-redonda dedicada aos fundamentos da Inteligência Artificial, com debates sobre confiança digital e infraestrutura tecnológica.
Portugal também integra as discussões por meio de Raquel Brízida Castro, vice-presidente do Conselho de Administração da Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom).
Na quinta-feira, a liderança indígena brasileira Puyr Tembé será uma das participantes do painel que discutirá a relação entre Inteligência Artificial, conhecimentos tradicionais indígenas e sustentabilidade.
O evento pretende mostrar como a combinação entre saberes ancestrais, gestão responsável do clima e inovação tecnológica pode contribuir para soluções voltadas ao futuro.
Também na quinta-feira, a secretária municipal de Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro, Tatiana Roque, participará de um workshop sobre cidades inteligentes, que apresentará experiências práticas da aplicação da Inteligência Artificial em políticas públicas e na gestão urbana.
ONU DEFENDE UMA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL MAIS INCLUSIVA
A secretária-geral da União Internacional de Telecomunicações (UIT), Doreen Bogdan-Martin, afirmou que os benefícios da Inteligência Artificial somente alcançarão toda a população mundial se o avanço tecnológico ocorrer em conjunto com a cooperação entre os países.
Ela destacou que o Diálogo Global fortalece os esforços para construir uma IA inclusiva, especialmente para os cerca de 2,2 bilhões de pessoas que ainda permanecem desconectadas da internet.
Já o diretor-geral da Unesco, Khaled El-Enany, ressaltou que a diversidade cultural e linguística é um patrimônio essencial da humanidade. Segundo ele, a governança global da Inteligência Artificial deve garantir que a inovação fortaleça essa diversidade, protegendo culturas, idiomas e diferentes formas de conhecimento, para que o avanço tecnológico beneficie toda a sociedade.
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